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segunda-feira, 7 de março de 2011

Dream on (persista)


Luiz nunca deixou de acreditar que um dia o encontraria. Passou anos de sua vida correndo atrás do que pensava ser o melhor para si. E fui em uma dessas jornadas que viu-se encurralado em um jogo de intrigas, indecisões e novas esperiências. Ir ou não para Belo Horizonte? Meus amigos que ficam entederão? Luiz pensou que já havia se perdido tanto que uma viagem a mais não faria mal. O problema era que todas as viagens criavam novos problemas para acobertar os anteriores.

Dois, três anos se passam, e ele ainda vaga pelas penumbras de cidades bonitas, sempre se escondendo de seu maior medo/problema, ele mesmo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Do it cause you wanted...


As vezes Lucas não percebia o quão ridículo chegava a ser por não ter nenhuma atitude não influenciada. Seu irmão Marcus sempre o indicava o caminho a percorrer. Quando foi ficando mais velho na hora de tomar decisões reais para sua vida, o que queria ser profissionalmente, o que estudar, que garota não namorar, não conseguia mais decifrar seus pensamentos. Cansado da imaturidade de Lucas, Marcus - o criador - o convence a se afastar de tudo e de todos e traça mais uma meta para o irmão.
 
Tão rápido quanto a idéia começou, lá estava Lucas, perdido na Austrália sem saber o que buscava lá. Quando reencontrou velhos amigos - Luacas havia morado ali quando jovem por alguns anos - eles vinham lhe perguntar o que o levara até aquela cidade pequena em uma ilha grande? Lucas sempre sorridente - sem saber se o sorriso representava felicidade ou desespero - sempre respondia o mesmo "Se você fosse a São Paulo eu ia perguntar o que você faz em uma selva de pedras".
Lucas chegou a estudar por lá, mas foi ai que seu conciente acordou. Começou a ficar confuso do porque precisara ir tão longe para se encontrar? Logo percebeu que o que seu irmão queria era somente paz. Marcus estava cansado de tomar conta de duas vidas, mesmo que cuidasse da de Lucas somente para irritar seus pais. Lucas decidiu voltar ao Brasil em um ato desesperado de tentar achar o que o tirara de lá.
 
Quando chegou já era tarde. Lucas havia perdido seu irmão... seu guia... o chão que pisara um dia agora a outro pertence. No final tudo fica claro: "Ele queria 'outro' espaço".

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

De(este) outro mundo

Quando Pedro chegou à capital achou que tudo seria “normal” como em sua cidade pequena, mas logo ao pisar nela percebeu tudo muito estranho.
Logo que desembarcou da rodoviária viu algo que o chocou pro resto de sua vida. As pessoas tinham cada um dois braços e duas pernas! –Como é possível? Pedro estava indignado. Não havia rampas, assentos reservados, as multidões se abriam como o Mar Negro diante de Moisés, totalmente confuso e desnorteado tentava andar sem se sentir constrangido até chegar ao taxi, mas mal conseguia dar um passo sem alguém oferecer para carregar sua bagagem. Era tudo muito estranho, ninguém usava muletas, nem cadeiras, todos enxergavam muito bem. –Deus! Aonde vim parar? Essas pessoas são muito estranhas. Como será que consegue andar assim, sem uma muleta? Como é que conseguem manipular bem os dois braços sem se enrolarem? Será que conseguem dirigir um carro com segurança? Como será que tomam banho sem escorregar? Como se reproduzem? Será que se reproduzem sem ciência? Estou começando a ficar enojado. De repente se depara com uma “dessas” pessoas, e tinha tanto medo de machucá-la que abriu espaço para que ela pudesse passar. Quando deu por si, já estava em casa. Sozinho e mais confuso que nunca, resolveu deitar-se.
No dia seguinte acordou como de um longo sono. – Nossa! Que coisa estranha! Ao sair na rua viu o rapaz sem perna que via todos os dias, e pela primeira vez o viu como mais um na multidão, aquela que se abria a sua frente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A chave de fenda

Pedro sempre voltava do trabalho perdendo o stress que ganhara durante o dia, mas nem sempre as coisas funcionavam do jeito que ele gostaria. Somente por seus pensamentos

A pé.

Enquanto andava na rua lembrara de todos os que gritaram com ele o dia inteiro, e a cada passo a voz simplesmente sumia de sua cabeça (por isso ainda não havia pedido demissão) . De todos os pensamentos que lhe passavam na cabeça o mais chato era “porquê essas pessoas ficam olhando uma para as outras?” e achava engraçado olhar de volta com uma cara de mau, creio que somente para passar a ideia de que também teve um dia difícil.

No primeiro ônibus.

Uma lata de sardinha tem mais espaço do que um ônibus às 18:00 em qualquer cidade grande! dependurado na porta ia curtindo o som que sempre o transporta para o refúgio de seu quarto, o único lugar em que realmente se sente a vontade. Cartão vai, guri desce, ainda com olhares, mas com o “foda-se” ligado.

Segundo ônibus.

Parado na roleta ficou observando a mistura de pessoas ali dentro. O que será que essas pessoas fazem da vida? Aquele cara de terno ali, pode ser um marido que trai a esposa com outras mulheres (ou homens) e volta para casa com um presentinho qualquer para os filhos sentirem sua presença, a pesar de estarem dormindo… ou talvez tenha vinte e poucos anos e a ideia de casamento nem passa pela mente. E aquela mulher linda no mini vestido? Puta? vai saber, quem vê ali não sabe nem 1 lasca da vida de ninguém.

Terceiro ônibus.

Parado na porta do meio, ônibus meio cheio, vaga um lugar e a moça insiste para que ele se sente, após recusar várias vezes ela se senta. Eis que ao olhar para próximo da porta ele a avista, azul, média, quase imóvel. De onde raios veio essa chave de fenda? Que importa? O melhor de tudo, é que quase ninguém a notava, estava ali, completamente solitária e o mais importante, intocável pelos pensamentos alheios.

Foi a partir disso que Pedro, quando cansado do mundo, lembra da chave de fenda, e sempre arruma um jeito para ficar igual a ela, praticando ao extremo sua individualidade, sentando em lugares únicos para não ficar perto de ninguém, ficando no lugar mais afastado do ponto de ônibus, somente para ter um pouco de paz, e assim conseguir manter seu emprego.